Vasco é proibido de fazer negócios com Crefisa e Palmeiras
Pedrinho. Foto: Reprodução de vídeo
Crise. A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) abriu um procedimento para investigar um possível conflito de propriedade na venda da SAF do Vasco ao grupo liderado pelo empresário Marcos Lamacchia, enteado da presidente do Palmeiras, Leila Pereira.
Durante a apuração, a agência determinou medidas cautelares que proíbem o Vasco de manter relações comerciais com o Palmeiras e com a Crefipar, conglomerado financeiro ligado a Leila Pereira e que inclui a Crefisa. A restrição impede, por exemplo, negociações de jogadores entre Vasco e Palmeiras, compartilhamento de estruturas e profissionais e operações financeiras entre as partes.
O Vasco também fica impedido de contratar novos empréstimos da Crefisa. Em 2025, a instituição financeira emprestou R$ 80 milhões ao clube e aparece como garantidora no acordo de investimento firmado entre o Vasco e Lamacchia.
+ investigação
O procedimento foi instaurado após uma diligência iniciada pela unidade técnica da Anresf em junho. A agência vai analisar se a negociação da SAF do Vasco pode contrariar as regras de Fair Play Financeiro, que impedem que uma mesma pessoa ou grupo tenha controle ou influência significativa sobre mais de um clube.
O artigo 86 do regulamento da Anresf estabelece que nenhuma pessoa física ou jurídica pode deter, direta ou indiretamente, controle ou influência significativa sobre mais de uma equipe.
Marcos Lamacchia é filho do empresário José Lamacchia, casado com Leila Pereira, que preside o Palmeiras e também é presidente da Crefisa. O parentesco está no centro da análise da agência.
A possibilidade de conflito já havia chamado a atenção de outros clubes. Em julho, o Flamengo encaminhou um ofício à Anresf pedindo que a agência analisasse a operação e avaliasse a possibilidade de impedir a venda da SAF vascaína ao empresário.
Até o momento, a Anresf não concluiu se existe efetivamente um conflito de propriedade. A abertura do procedimento dará início à análise do mérito do caso.
+ medidas cautelares
As restrições foram adotadas para evitar possíveis interferências esportivas enquanto a investigação estiver em andamento. Segundo a agência, eventuais operações realizadas durante esse período poderiam gerar consequências difíceis de reverter posteriormente.
Além da negociação de atletas, Vasco e Palmeiras ficam proibidos de realizar operações financeiras, compartilhar centros de treinamento, profissionais ou informações consideradas sensíveis.
A proibição também se estende às relações entre o Vasco e a Crefipar.
O Vasco, o Palmeiras, a Almirante Participações, empresa investidora de Lamacchia, e a Crefipar foram notificados sobre a abertura do procedimento. Embora as duas últimas não sejam partes da investigação, poderão se manifestar no processo.
O advogado André Sica, que representa Lamacchia na negociação, já havia afirmado que o grupo mantém diálogo com a Anresf e que a operação de compra da SAF do Vasco será concluída mesmo diante de eventuais ressalvas da agência. Segundo ele, Lamacchia estaria disposto a implementar qualquer solução determinada pela entidade.
Fonte: Portal SRZD




