O sonho da reabertura do estaleiro EISA
Em 1966 foi instalado na Ilha do Governador, entre a Praia da Rosa e Bancários, o Estaleiro EMAQ. Na época, o Estaleiro participou ativamente do Programa de Construção Naval do governo federal, que na década de 70 elevou o Brasil à posição de segundo maior construtor mundial de embarcações, ficando atrás apenas do Japão.
Em 1994, com a declínio do setor naval brasileiro, as instalações do EMAQ na Ilha do Governador foram desativadas, ficando ociosas até 1995, quando foram arrendadas, criando uma nova denominação: o Eisa – Estaleiros Ilha S.A.
A partir do ano de 1999, com as fortes ações de apoio implementadas pelo Governo do Estado através da recém criada Secretaria de Energia, Indústria Naval e Petróleo, comandada à época pelo insulano Wagner Victer, o EISA voltou com força total e foram construídas dezenas de embarcações e efetuados diversos tipos de reparo naval e de offshore.
Com capacidade de construir navios de até 70 mil toneladas de peso bruto e com toda a infraestrutura para construção de navios de até 280 metros de comprimento, o Eisa efetuou ainda reparos, conversões, upgrades, jumborizações, modificações de qualquer natureza e estava apto para atender novos desafios, inclusive para indústria do petróleo.
No EISA existem duas carreiras laterais, que permitem a construção simultânea de duas ou mais embarcações de grande porte, o que garantia alto desempenho em sua capacidade produtiva e flexibilidade do seu parque industrial.
O Estaleiro, que funcionava praticamente 24 horas, chegou a empregar mais de 5 mil funcionários – vale ressaltar que para cada emprego direto eram gerados cinco empregos indiretos -, porém em 2016 não resistiu a toda crise econômica, batalhas judiciais e até a inexplicável construção de estaleiros em outros estados como em Pernambuco, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. No mesmo ano encerrou totalmente as suas atividades, demitindo praticamente todos os funcionários e causando grande prejuízo ao nosso País, ao Rio e, em especial, para os milhares de insulanos que trabalhavam no Estaleiro.
Ver tantos navios parados se deteriorando na nossa maré e o estaleiro jogado as “traças” é de doer o coração, principalmente em um momento de pandemia, em que vivemos uma crise sem precedentes. A esperança de dias melhores vai de encontro a reabertura do EISA e nossos representantes – de diversos âmbitos políticos – precisam estar alinhados a esse ideal!