
Investigação. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) intensificou, ao longo de 2026, as ações contra influenciadores digitais acusados de promover apostas online de forma considerada abusiva ou enganosa. O caso mais recente envolve a influenciadora Virginia Fonseca e a plataforma Blaze, alvos de uma ação civil pública que pede indenização mínima de R$ 120 milhões por danos morais coletivos.
Na ação protocolada nesta semana, o MPDFT sustenta que Virginia e a Blaze teriam atuado em um “conluio predatório” para atrair consumidores às apostas online. Segundo o órgão, a influenciadora teria exercido papel estratégico na divulgação da plataforma para seus milhões de seguidores nas redes sociais.
A Promotoria cita, entre outros exemplos, um vídeo em que Virginia incentiva apostadores a realizarem apostas em uma partida entre as seleções de Cabo Verde e Argentina. Para o MP, a estratégia reforçaria uma dinâmica de captação de consumidores baseada em promessas de ganhos e estímulo ao jogo.
O avanço das investigações ocorre meses após o ex-BBB Felipe Prior também se tornar alvo do MPDFT. Ele responde a uma ação penal por supostos crimes contra as relações de consumo e por induzir seguidores a realizarem apostas consideradas prejudiciais. A denúncia, aceita pela Justiça do Distrito Federal em abril, aponta que o influenciador participaria de um esquema de publicidade enganosa ligado à plataforma Seu.bet.br.
De acordo com o Ministério Público, Prior recebia pagamentos por novos cadastros realizados por meio de sua divulgação e teria participação financeira nas perdas registradas pelos apostadores indicados por ele. A investigação também menciona promessas de multiplicação rápida de dinheiro, com anúncios que sugeriam retornos elevados em poucas horas.
Além da esfera criminal, o ex-BBB já foi condenado na área cível a remover publicações que prometiam ganhos certos com apostas esportivas. O MPDFT também busca indenização mínima de R$ 5 milhões por danos morais coletivos no caso.
A ação contra Virginia faz referência ainda a outros influenciadores e personalidades que mantiveram contratos publicitários com plataformas de apostas. Entre os nomes citados está o jogador de futebol Neymar Jr., cuja imagem, segundo o MP, teria sido utilizada para ampliar o alcance das campanhas e atrair consumidores com promessas de renda extra.
Também são mencionados os influenciadores Lucas Lira e Bruna Sunaika, que divulgaram conteúdos relacionados à Blaze nas redes sociais. Apesar das referências, nenhum deles figura como réu na ação movida contra Virginia e a plataforma.
Segundo o MPDFT, as investigações apontam para um modelo de atuação recorrente no mercado de apostas, baseado na utilização de influenciadores de grande alcance para promover plataformas junto a públicos considerados vulneráveis. O órgão argumenta que a prática possui potencial de ampliar prejuízos financeiros e exige resposta institucional proporcional.
Em nota, a defesa de Virginia Fonseca afirmou que recebeu a ação por meio da imprensa e contestou as acusações. Os advogados sustentam que a responsabilização civil deve ser baseada em provas concretas e negam qualquer atuação predatória ou conluio com a plataforma de apostas. A defesa informou ainda que apresentará esclarecimentos e documentos ao longo do processo.
Fonte: Portal SRZD




