Rio de Janeiro

Prefeitura entrega quiosque à família de Moïse Kabagambe, no Parque Madureira

O quiosque Moïse fica localizado próximo ao portão 1 do Parque Madureira – Beth Santos/Prefeitura do Rio
A Prefeitura do Rio, em parceria com a Orla Rio, entregou o Quiosque Moïse, que fica no Parque Madureira Mestre Monarco, à família Kabagambe, nesta quinta-feira (30/6), data de aniversário de 62 anos da independência do Congo. O espaço, que tem 154m² de área total e capacidade para 60 lugares, contará com um cardápio inspirado nos pratos típicos do país africano, além de abrigar um memorial para celebrar a cultura africana.

– É um sinal claro de que não vamos aceitar no Rio e no Brasil atos de xenofobia, de racismo, preconceito e uma morte tão violenta como essa do Moïse. Óbvio que nunca vamos reparar a dor da família, mas é uma forma de homenagear e lembrar permanentemente desse ato bárbaro e selvagem que acabou com a vida de um homem. O Brasil foi um país construído por uma gente que veio de tantos lugares, muitos da África – afirmou o prefeito Eduardo Paes, frisando que todos são bem-vindos no Rio de Janeiro, uma cidade acolhedora, que recebe as pessoas com carinho e fazendo com que se sintam em casa.

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Moïse, de 24 anos, foi morto no fim de janeiro no quiosque em que trabalhava, na minha Praia da Barra da Tijuca. Na ocasião, a Prefeitura do Rio sugeriu à família que passasse a administrar o local e o transformasse em um memorial. Os parentes do congolês consideraram que o quiosque traria lembranças ruins e, então, ficou decidido mudá-lo para o Parque Madureira Mestre Monarco.

Após a localização ser escolhida, a Prefeitura do Rio iniciou os procedimentos jurídicos para que a Orla Rio, concessionária dos quiosques das praias cariocas, pudesse auxiliar a família de Moïse no Parque Madureira. Além de fiscalizar a execução de todo o projeto.

– Agradeço ao prefeito Eduardo Paes e toda sua equipe, ao João Barreto, presidente da Orla Rio, e todos os demais envolvidos. Recebam nosso obrigado por esse quiosque em homenagem à memória do nosso filho. O que aconteceu com ele atinge e afeta todo mundo – disse Clude Kabagambe, pai de Moïse.

O quiosque, localizado próximo ao portão 1, funcionará de terça à domingo e o cardápio oferecerá 33 opções entre petiscos, pratos principais, guarnições e sobremesas, entre eles Fufu, Liboke e Makayabu, típicos do Congo e com influência brasileira.

Com arquitetura e cores inspiradas na cultura africana, o espaço ainda conta com um grafite exclusivo do artista Airá Ocrespo. O grafiteiro, conhecido por trazer em todas as suas obras o empoderamento negro, desenvolveu uma arte em homenagem a Moïse e à força congolesa.

O local também ganhou uma arte em azulejos com o rosto de Moïse estampado e funcionará como memorial da cultura africana, em parceria com o Instituto Akhanda.

– Sabemos que nada será o bastante para amenizar a dor da perda do Moïse com aquele crime brutal e é de forma genuína que construímos, de mãos dadas com a família Kabagambe, um legado para honrar a imagem de Moïse e de todo o seu povo. Com esse quiosque, que entregamos a eles depois de 150 dias de idealização e muitos encontros, a cidade do Rio terá uma oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a cultura e a gastronomia congolesa, além de apoiar a família, que terá o quiosque como sua principal fonte de sustento – declarou o presidente da Orla Rio, João Marcello Barreto.

Cerca de 50 funcionários da Orla Rio trabalharam no projeto ao longo de cinco meses. A concessionária também deu à família de Moïse a primeira leva de insumos para a produção do cardápio, uma ajuda de custo mensal durante o período de idealização do quiosque, além de instalar os equipamentos e todo o mobiliário.

A família de Moïse também recebeu auxílio jurídico, além de orientação e treinamentos para constituir e gerir o quiosque, viabilizados pela Orla Rio. Essa preparação para assumir o controle do local contou com mais de 100 horas de cursos oferecidos pelo SindRio, consultoria do chef João Diamante, que fez a curadoria na criação do cardápio, e gestão empresarial conduzida pelo consultor de negócios Cleber Mourão.

E a equipe de comunicação da concessionária também desenvolveu um projeto de mídias sociais para o quiosque, como forma de contribuir para transformar o local em referência cultural do Congo na cidade, com o objetivo de disseminar a história, geografia, culinária e cultura do país. Por meio de parcerias com a Alfatec e a Ambev, o Quiosque Moïse ainda ganhou equipamentos de frituras e bebidas para impulsionar o seu funcionamento.

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