Ilha do Governador
Tendência

Polícia prende advogada investigada por desviar patrimônio de idosa morta há 7 anos

Imagem: Polícia Civil do Rio | 37ª DP

Advogada acusada de desviar dinheiro de idosa de 90 anos é presa, em Flagrante pela ocultação de documentos da idosa. Celular foi encontrado escondido no ralo do banheiro.

Jéssica Cabral Barradas mantinha em casa documentos da vítima morta havia sete anos. Talheres banhados a ouro e um relógio foram reconhecidos pelo filho da idosa. Advogada já responde por 16 crimes relacionados ao patrimônio da antiga curatelada.

Jéssica, que deveria proteger os interesses de uma idosa de 90 anos, acabou presa em uma investigação que aponta desvios de dinheiro, movimentações bancárias após a morte da vítima e retenção de documentos e bens. Jéssica Cabral Barradas, de 35 anos, foi presa em flagrante nesta sexta-feira (2), por policiais civis da 37ª DP (Ilha do Governador), durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão determinada pela Justiça em seu apartamento, no Cacuia, Zona Norte do Rio.

No imóvel, os agentes encontraram a certidão de óbito e a carteira de identidade originais da idosa, que morreu em julho de 2019. Segundo a investigação, o filho da vítima cobrava a devolução dos documentos havia sete anos, mas a advogada alegava que estavam “guardados em caixas”.

Jéssica foi autuada em flagrante por ocultação de documento público, crime previsto no artigo 305 do Código Penal.

Celular escondido no ralo

Durante a busca, acompanhada por representantes da OAB/RJ, um dos principais objetos procurados pelos policiais parecia ter desaparecido: o celular da advogada.

O aparelho só foi encontrado depois de mais de uma hora de procura, dentro do ralo do banheiro. Segundo os policiais, Jéssica teria colocado o telefone no local para impedir sua apreensão. A Justiça havia autorizado o recolhimento do aparelho e a extração de seus dados.

Além dos documentos, foram apreendidos equipamentos eletrônicos, joias e talheres banhados a ouro. Na delegacia, o filho da idosa reconheceu os talheres e um relógio como pertencentes à mãe. As peças da família já haviam sido descritas por ele em depoimento anterior.

De responsável pela proteção a acusada de desviar o patrimônio

A JESSICA, naquela época era vizinha da vítima, no Cocotá, e, segundo a investigação, aproximou-se da mulher, que morava sozinha e recebia pensão militar e benefício do INSS.

Em 2014, Jéssica foi nomeada curadora pela Justiça e passou a administrar os interesses e o patrimônio da idosa. Os recursos deveriam ser utilizados em benefício da pensionista. A investigação, entretanto, identificou transferências da conta da vítima para a conta pessoal da advogada e movimentações que continuaram depois da morte.

Segundo a apuração, seis dias após o óbito, dinheiro saiu da conta da falecida para a advogada, seguido de saque. Também foram identificadas compras com o cartão da idosa no ano seguinte à sua morte.

Jéssica já responde na Justiça por 12 crimes de apropriação de rendimentos de pessoa idosa, dois furtos qualificados mediante fraude e duas falsidades ideológicas. As acusações também envolvem a suposta omissão de rendimentos nas prestações de contas sobre a administração do patrimônio.

Documentos retidos e obstáculos para o herdeiro

Mesmo após sucessivas cobranças do filho da vítima, os documentos originais não foram entregues. Segundo a polícia, a advogada chegou a enviar fotografias dos papéis, indicando que sabia onde estavam, mas continuou sem devolvê-los.

O herdeiro relatou que a retenção dificultou a abertura do inventário e a regularização da sucessão. Para acionar o seguro de vida da mãe, precisou obter uma segunda via da certidão de óbito, conseguindo fazê-lo apenas em 2023.

Nesta sexta-feira, os originais finalmente foram localizados pelos policiais dentro do apartamento da antiga curadora.

Histórico reúne outras anotações criminais
Segundo o relatório de vida pregressa consultado pela investigação, Jéssica já ostenta diversos envolvimentos criminais, relacionadas a fatos classificados como coação no curso do processo, perseguição, furto, ameaça, falsa identidade e outros delitos.

Os aparelhos apreendidos serão submetidos à extração de dados. Os talheres e o relógio passarão por perícia e avaliação, com posterior restituição ao filho da vítima.

Após os procedimentos na delegacia, a advogada será encaminhada à Justiça. As investigações prosseguem na 37ª DP (Ilha do Governador).

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo