Rio de Janeiro

Aposentado volta aos estudos após 50 anos e tem o próprio filho como professor

Foto: Ana Clara Schwartz/Prefeitura do Rio

Foram quase 50 anos longe da escola, mas esta semana a vida do Sr. Francisco Oliveira, de 63 anos, e de diversos jovens e adultos que ainda não concluíram os estudos começaram a mudar e ganhar uma nova história. O motivo? A Secretaria Municipal de Educação do Rio retomou esta semana as aulas na rede, incluindo as aulas da Educação de Jovens e Adultos (EJA), que está com mais de sete mil vagas abertas para quem quiser voltar a estudar. Atualmente, a rede tem mais de 20 mil estudantes inscritos nesta modalidade de ensino.

Francisco está animado para voltar à sala de aula. O aposentado parou de estudar aos 14 anos para trabalhar com seu pai em uma indústria metalúrgica. Ele se enquadra no perfil dos (as) estudantes que se inscrevem na EJA para pessoas acima de 15 anos que não concluíram o ensino fundamental quando crianças e adolescentes.

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A oferta da EJA faz parte do Programa de Educação de Jovens e Adultos (PEJA), com metodologia presencial (4 horas diárias de aula), em 140 escolas distribuídas por todo o município; e nas Escolas Exclusivas de EJA, em três escolas com metodologia semipresencial – duas horas diárias de aula, sendo um facilitador para os (as) estudantes que trabalham e não conseguem dedicar tantas horas no modo presencial – e à distância – no CREJA e CEJA Maré. A maior parte das unidades escolares funciona com atendimento noturno, das 18h às 22h, mas há escolas que ofertam a EJA nos turnos da manhã e da tarde.

Francisco, pai de Hugo e José, se orgulha em dizer que pôde contribuir para as formações dos filhos. Seu retorno aos bancos escolares é no modelo semi presencial e fica ainda mais emocionante ao saber que o seu mais velho, Hugo, graduado em História, será um dos seus professores no CEJA Acarí. Foi durante um passeio no Museu da República, com o filho e os (as) estudantes da unidade escolar, que despertou nele o desejo de voltar à sala de aula.

– O maior orgulho que tenho nessa vida é ver os diplomas dos meus dois filhos. Ser aluno do meu próprio filho, que eu fiz questão que tivesse mais oportunidades que eu, será uma emoção enorme. Vim da Paraíba com oito irmãos, direto para a favela. A gente não tinha dinheiro para nada. Vou chamar o Hugo de professor, mas pode ser que às vezes escape a palavra filho – comentou o aposentado que já treina a língua portuguesa escrevendo poesias de cordel.

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